sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MARCELO ARIEL NA Usp


No dia 06 de novembro de 2008. No prédio de Letras da Universidade de São Paulo tivemos o privilégio e a surpresa de conversar e nos aproximarmos de um poeta extraordinário. Marcelo Ariel, nascido em Santos(SP). Vive em Cubatão, donde coordena a editora Letra Selvagem.
Nossa conversa com ele foi edificante. Através da publicação de Tratado dos Anjos Afogados, 2008 , nos deleitamos com suas experiências ao longo dos 20 anos de escrita poética e também tomamos contato com seu pensamento, suas ”doutrinas”, “filosofias” ou simplesmente fantasmas de vida, vivências. Não há nem como definir. Seria um sacrilégio.
E é justamente nessa assimetria do outro que a poesia de Ariel está lançada, direcionando a relação como um encontro com a diferença que o outro me expõe, me apresenta. Para o poeta o é no encontro com o outro que se instaura o sagrado. O poema é a tentativa de contato com o outro. Ele se dá pela sensibilidade e autenticidade do humano.
Autenticidade que o poeta encontra na infância, quando o humano se abria ao outro com sua verdadeira alteridade, enunciava um eu íntegro, ao que hoje, na semi-presença de vivência somos fantasmas que encenam a vida cotidiana. Tudo é encenação.
Ao que ficou dessa conversa, foi o devir levado ao infinito de conhecer e ler mais e mais Marcelo Ariel, há muito para alterar-se com sua obra, há muita interação humana nessa caminhada. É um prazer sagrado tomar contato com suas poesias. A todo momento diversas possibilidades atravessam a emoção do meu ser, é a alteridade da não-presença, mas da relação com a essência , com o afeto que se instaura tanto no seu engajamento poético quanto na sua performance presente.
Para celebrarnos...

O EVANGELHO – Marcelo Ariel
Seja absolutamente diferente de mim e do que penso que você deveria ser, para que eu possa me abrir para o outro que você é, não como um animal fantasmagórico no espelho dos distanciamentos. Não como um outro eu clonado para as afinidades do ajuntamento irônico, mas para a significativa visão paradoxal do início de uma emancipação, longe dos domínios da coisificação-blindagem do eu. Me abrir para o encontro de uma autêntica filia onde predominem a espontaneidade, a leveza e a lentidão para essa alteridade. O amor como um valor laico e afeto como uma instância do atemporal, como um poema do irreconhecido fundado no desejo do impossível.

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